Outro dia o mano Mitsu me passava as possibilidades de fim de semana aqui no Rio de Janeiro. Durante o tempo em que namorei, meio que ignorei a noite carioca. Não há arrependimentos, como boa parte dos recém-solteiros sempre alega. “VOU SAIR NA NAITE PEGAR GERAL SÓ AS NOVINHA…….. DAKELE JEITO“, não, não. Comigo há um sentimento de “Opa, bora ver o que mais tem nesse mundão aí.”
Aí a gente começa a frequentar as baladas e bares desse meu Rio de Janeiro. Embora eu não seja tão de BALADA mesmo. Balada funciona assim: para cada música que você gosta, você ouve 12 que não gosta; as bebidas são caras demais e sempre tem um monte de caras com gel e cabelo na cara – não que eu me interesse por homens, mas a vergonha alheia é um sentimento que eu gostaria de não ter quando saio para me divertir. A salvação e o que faz eu vez por outra voltar à NITE são os amigos que tornam a coisa toda muito mais divertida. E sempre acontece alguma coisa engraçada porque alguém bebeu muito. NADA QUE BATA uma maratona de The Sopranos em RMVB comendo aquela esfiha vagabunda do Habib’s.
Enquanto eu e o Mitsu analisávamos as possibilidades de entretenimento nisso que chamamos de Rio de Janeiro, nos surge isso:

Se liga na vergonha de ser carioca (trechos mais vergonhosos em ROSA):
A festa mais descolada e bacana do Rio rola hoje à noite no Clube Santa Luzia!
Criada para os amantes do churrasquinho de gato, do frango com farofa na praia, do cofrinho aparecendo, a New Laje foi feita para se jogar.
Nada de gente cool e hypada. A festa será no Clube Santa Luzia, perto do Santos Dummont, com vista pra Baía de Guanabara. Se a vista e a música não forem suficientes pro pessoal perder a linha, a bebida é liberada.
Deixe o carão em casa e dê vida à rainha da laje que existe dentro de você.
NEW LAJE
Dia 08/08, sábado, 22h.
Clube Santa Luzia (Almirante Silva de Noronha, 300 – ao lado do aeroporto Santos Dummont)
Com DJs Acoxxxta, Malu e Letícia V. (pop bastardo, pós-funk, pré-funk) e VJs Mira e Juju Santos
R$: 30 (antecipados) e 40 (no local)
Venda antecipada de ingressos: Brechó Desculpa Sou Chique (Rua Alice, 75 – Laranjeiras), Bar Rosa de Ouro (Rua Voluntários da Pátria, 1, loja 11 – Botafogo), Brechó Maria Pose (Rua Visconde de Pirajá, 156, loja 214 – Ipanema)
Primeiro: Pagar 40 reais para brincar de pobre numa festa aonde pobre não entra? Tomanocu…
Se você tá pagando 40 reais, você não tá brincando de pobre. Tá brincando de rico, amigo. Quando somem 40 reais do bolso do pobre, ele tá na verdade “brincando de pagar a conta de luz.”
Segundo: Se eu tivesse grana, comprava uns mil reais de ingresso e dava para todo o pessoal daqui do morro ir lá. Tô louco para fazer galerinha chegar em casa falando “Mamãe, o choque cultural é uma coisa absurda!” E depois: “Levaram minha carteira…”
Terceiro: o Mário Bortolotto tem uma peça muito legal chamada “A Frente Fria Que a Chuva Traz”. O texto é assim: são vários playboys que alugam uma laje na favela para darem festas brincando de pobre. Tu vê a parada (pode ler o roteiro aqui) e diz “Que cambada de cuzão!” Daí acontece aquele papo que o Mr Manson manda, que a realidade sempre consegue ser pior que a ficção e essa turma da New Laje não só brinca de pobre, como ao invés de alugar um barraco na favela mesmo, faz isso na segurança dum clube. Quanta vergonha, Rio de Janeiro! Que mané, @Clube Santa Luiza, é @Vaitomarnocu!
Tanta vergonha.
“Ah, falou. Os maluco são os mó comédia. Eles fazem essas festas de laje pra brincar de povão, com churrasco, pagode e o caralho, mas não querem nem saber de povão de verdade nas proximidades.”
Amsterdan, em “A Frente Fria Que a Chuva Traz”
UPDATE: O Mitsu me passou as fotos da festa que ficaram ótimas. Se liga só na tristeza. A galerinha brinca de pobre bonitinho mesmo.